A Evolução dos Sistemas BIM (Building Information Model)

A adoção de sistemas BIM aponta para a necessidade de revisão do processo de projeto e sua gestão na construção civil. A colaboração entre os membros das equipes de projeto passa a girar em torno de um modelo baseado em informações, necessárias para o planejamento e construção de um edifício. Neste contexto, o envolvimento na fase de concepção de projetos dos profissionais envolvidos no orçamento, planejamento e construção mostra-se adequado à formação de um modelo consistente do edifício.

BIM não é apenas a adoção de uma nova tecnologia, mas a adoção de novos fluxos de trabalho envolvendo ambiente colaborativo e planejamento nas fases iniciais do projeto. O novo modelo de colaboração envolve recursos avançados de visualização, aliados a transferência contínua de conhecimento.

Florio (2007) destaca que a aplicação do BIM no projeto colaborativo pode contribuir tanto para aprimorar o processo de obtenção das quantificações dos elementos desenhados a partir do modelo digital 4D, como para o levantamento de custos e prazos para a execução.

Tobin (2008) apresenta as três gerações de adoção do BIM, nomeando-as de BIM 1.0, 2.0 e 3.0. Para o autor o BIM 1.0 é caracterizado pela substituição do desenvolvimento de projetos em CAD bidimensionais por modelos 3D parametrizados. Nesta fase, entretanto, o desenvolvimento do modelo é um processo individualizado, restrito aos projetistas, sem o envolvimento e colaboração de profissionais de outras áreas.

O BIM 2.0 expande o modelo a outros profissionais, além dos envolvidos no desenvolvimento dos projetos de arquitetura, estrutura e instalações. Nesta fase, modelos associando informações, tais como o tempo (4D), dados financeiros (5D) e análise de eficiência energética, dentre outros (nD) são associados ao sistema. Para tal é necessária a cooperação entre os projetistas, consultores, empreendedores e contratantes. Nesta fase é necessária a preocupação com a interoperabilidade dos dados, que permite o intercâmbio das informações entre os diversos participantes. A adoção efetiva do BIM 2.0 já é realidade em empreendimentos na América do Norte, Ásia e Europa.

O sistema Revit, desenvolvido pela Autodesk oferece suporte à colaboração multi-usuário, utilizando o recurso Worksharing, que permite acesso simultâneo a um modelo do edifício compartilhado entre vários usuários. A solução exige a adoção do software Revit por todos os profissionais envolvidos no desenvolvimento do projeto, que é desenvolvido localmente no sistema do usuário e disponibilizado no modelo compartilhado.

Crespo e Ruschel (2007) afirmam que o modelo BIM da Autodesk possui recursos de coordenação da informação entre colaboradores em ambiente de rede extranet, o que exige um planejamento nas regras de acesso a dados e busca de padronização para evitar conflitos de comunicação. Porém, as comunicações interativas textuais entre colaboradores não são suportadas pelo Revit, para este fim, pode-se usar o Buzzsaw da mesma empresa que é um software de ambiente de colaboração virtual.

Empresas provedoras de sistemas colaborativos para gestão de projetos na construção civil estão incorporando recursos que permitem a distribuição de modelos BIM através de uma plataforma WEB. Serviços, tais como o Asite, Buzzsaw e Newforma, dentre outros, oferecem recurso para armazenagem de projetos desenvolvidos em sistemas BIM.

A Autodesk (2007) afirma que parte dos profissionais envolvidos em um projeto desenvolvido através do Revit não necessitam acessar o modelo de dados, mas informações apropriadas do projeto, distribuídas através de arquivos DWF, que permitem a visualização, revisão e impressão dos projetos.

A era pós-interoperabilidade (BIM 3.0) é considerada por Tobin (2008) a terceira geração da adoção do BIM. No BIM 3.0 o intercâmbio das informações entre os profissionais envolvidos no desenvolvimento de um projeto é realizado através de protocolos abertos, tais como o IFC e os protocolos elaborados pela BuildingSmart, que permitem aos profissionais o desenvolvimento colaborativo de um modelo de dados que pode ser considerado um protótipo completo da construção do edifício.

Tobin (2008) especula que o modelo do BIM 3.0 estará disponível através de um banco de dados acessível através da internet onde os modelos BIM serão construídos colaborativamente em um ambiente 3D.

Nota:

Este texto faz parte da dissertação de mestrado: Coordenação de projetos de edifícios com emprego de sistemas colaborativos baseados em software livre – (2005 – 2008) – autor: Sérgio Barbosa de Salles Coelho

Bibliografia:

FLORIO, W. Contribuições do building information modeling no processo de projeto em arquitetura, In: SEMINÁRIO TIC 2007 – TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL, 2007, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: TIC 2007, 2007. CD-ROM.

TOBIN, J. Proto-Building: To BIM is to build. Disponível em: . Acesso em: 29 de junho de 2008.

CRESPO, C.; RUSCHEL, R. C. Ferramentas BIM: um desafio para a melhoria no ciclo de vida do projeto. In: III Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção Civil, 2007, Porto Alegre.Anais… Porto Alegre: ANTAC, 2007. p. 1-9.

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